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segunda-feira, 5 de maio de 2008

TRATAMENTO ALTERNATIVO - DISLEXIA


Vinte milhões de pessoas sofrem de dislexia no Brasil. A dificuldade para ler e escrever já foi confundida com preguiça, mas é um problema que tem solução.
A reportagem foi sugerida pelos nossos telespectadores.
Só aos 26 anos Cleiton começou o curso de Direito. Os médicos descobriram que ele tem dislexia por causa do distúrbio tomou bomba no ensino fundamental e largou a escola durante vários anos.
“Você começa a escrever uma coisa e não dá fim e já começa a escrever outra”, conta ele.
A dislexia é hereditária e atinge mais o sexo masculino esta neurologista explica que é uma disfunção cerebral que causa dificuldade no aprendizado.
“São pacientes que confundem até o esquerdo com o direito e não conseguem manusear bem mapas catálogos de telefone”, explica Marli de Andrade, neuropediatra.
O problema pode ser detectado por neurologistas, fonoaudiólogos e oftalmologistas. Em 70% dos casos de dislexia visual um olho lê mais rápido do que o outro esta demora da mensagem completa chegar ao cérebro é que provoca a distorção das palavras a captação incorreta da luz natural ou artificial também causa o problema.
Lentes coloridas estão sendo usadas no tratamento. Para quem não tem dislexia, elas só mudam as cores dos objetos, mas para as pessoas que têm a deficiência é a chance de enxergar o mundo real.
Raquel sente os dois sintomas. “Olhando para uma palavra aqui em volta eu já não tô conseguindo ver. Começa a me dar uma vertigem”, diz Raquel.
Ela testa várias lentes até encontrar a ideal. “As letras todas no mesmo tom. Nossa mãe!!”, diz ela.
Quanto mais cedo o diagnóstico, menos traumas e atrasos na escola, alertam os médicos. Há um mês fazer o dever de casa deixou de ser um tormento para Roberta. “Ah não balança. Fica retinho não fica torto. Fica normal”, diz Roberta.
O sincronismo visual nas partituras também estimulou a adolescente de 12 anos a voltar a compor.


Sexta-feira. 02 de Maio de 2008.

Jornal Hoje
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quinta-feira, 1 de maio de 2008

ESCOLAS QUE SÃO NOTA 10


O Jornal Nacional exibe nesta quarta-feira a última reportagem da série sobre projetos bem-sucedidos na educação e mostra como o incentivo à criatividade pode estimular o aprendizado.
Uma estudante que dá entrevista na escuridão de um abrigo, em Teresina, enviou à escola um pedido de socorro. Em uma carta, ela conta que a mãe e o padrasto não a deixavam estudar e suplica: "venham com monitor e até com a polícia se for preciso para me tirar daqui".
“Eu não gosto muito assim de lembrar, porque, quando eu lembro, sempre vem aquele nervosismo. Aí, sempre eu tento esquecer, faço alguma coisa e eu acabo esquecendo por algumas horas”, conta outra estudante.
A cidade tem um programa de atenção especial para alunos vítimas de violência e trabalho infantil. “O aluno faltando dois dias seguidos, nós temos uma equipe da escola que se dirige até a residência desse aluno para saber o que realmente está acontecendo com ele”, explica Dejalma José Batista, diretor adjunto da escola.
Do Piauí, vamos para Farroupilha, no Rio Grande do Sul. A aula de poesia já se tornou a preferida dos alunos que são incentivados a escrever os próprios poemas. "Quando eu crescer, eu vou ser poeta e vou escrever muitos poemas, como Mário Quintana", conta a estudante Thalia Hantz, de 10 anos.
Da sala de aula para o ponto de ônibus. Os alunos colam os poemas nas janelas, para o deleite dos passageiros. Em Formosa, interior de Goiás, a alegria dos alunos vem de uma parceria da escola com uma academia de ginástica. Sem a parceria, a escola não teria como oferecer a atividade física para as crianças. “É bom para nós, é muito bom”, diz Bianca Araújo, que cursa a 4ª série.
Em Altamira, no Pará, uma receita para acabar com a evasão escolar. Os alunos com mais dificuldade de aprendizagem entram em um programa de atividades especiais, em horário extra classe. O objetivo é desenvolver talentos, aproximá-los da escola, motivá-los através da arte. O programa tem quatro anos e já mostrou que o bom desempenho se reflete nas salas de aula.
A aula mais concorrida é a de danças folclóricas, como o carimbó. Para participar, a exigência é uma só: que os alunos melhorem as notas. “Isto fez com que nós melhorássemos os índices de aprovação, diminuíssemos a reprovação e a evasão”, afirma Ducilla Almeida do Nascimento, secretária de Educação de Altamira.
É assim com a capoeira, com o balé e com a música. “A música, ela te envolve em um mundo mágico, que te faz mais feliz. Te mostra muitas coisas bacanas da vida”, diz Kitielly Neves, de 19 anos.
Em lugares simples, assim começa a construção dos sonhos de tantos brasileiros. “O que a gente quer é iluminar as experiências bem sucedidas e dar luz para elas para garantir que cada menino e cada menina estudantes das escolas públicas brasileiras tenham garantido o direito de aprender”, declara Maria do Pilar Lacerda, secretária de educação básica do MEC.
“A qualidade do ensino da escola é muito fundamental para nós todos estarmos na escola”, afirma a estudante da 6ª série Edvirgens de Souza, de 11 anos.
Na página do Jornal Nacional,
veja os bastidores de produção da série de reportagens sobre educação: vídeos, fotos, histórias exclusivas e um espaço para você deixar seu comentário sobre essa série de reportagens.
Na primeira delas, na segunda-feira, o Jornal Nacional se referiu a Brazlândia como uma região pobre e violenta do Distrito Federal. Nós erramos. Na verdade, os índices de violência em Brazlândia não justificam essa qualificação.


26 de Abril de 2008
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PROFESSOR VALORIZADO, ALUNO DEDICADO


O Jornal Nacional exibe, esta semana, uma série de reportagens sobre projetos bem-sucedidos na área de educação. Nesta terça, a repórter Cristina Serra mostra como a valorização do professor pode se refletir no desempenho do aluno.
Professores de volta à sala de aula. É assim nas escolas de Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Toda semana, os professores reservam quatro horas para cursos de atualização e planejamento das aulas e ganham para isso.
“Esses momentos de preparação do grupo de professores das diferentes escolas se encontrando e trocando experiências enriquece muito o trabalho em sala de aula”, garante a professora Simone Miorelli.
No Rio de Janeiro, na favela Cidade de Deus, o extremo oposto. Uma escola deveria ter 24 professores. Tem apenas oito. Eles não querem trabalhar no local com medo da violência.
Um professor, que pediu para ter a identidade preservada, reconhece que quem mais perde são os alunos. “Esses jovens dessas comunidades ficaram sem perspectiva e continuam ficando sem perspectiva”.
Os pais também sabem que seus filhos são prejudicados. “Muitas crianças vão ter pouco ensino por causa da violência. Uma coisa puxa a outra”, conta um pai.
Para o especialista em educação Cláudio Moura Castro, o desestímulo do professor é uma das razões para o fracasso de muitas escolas. “O professor mais motivado, motiva o aluno. O professor morto, destroçado, destruído pelo ambiente de uma escola de periferia é muito difícil ele conseguir entusiasmar o aluno pela beleza das idéias. E esse é o grande drama da educação do Brasil”.
Drama que está sendo superado no interior do país. Um exemplo vem do Maranhão. Nós estamos em Nova Brasília, um pequeno povoado da Zona Rural de Alto Alegre do Pindaré, e nós viemos conhecer a escola da comunidade.
É uma escola simples, mas que tem tudo que é importante para o bom aprendizado. Na entrada fica o cantinho da leitura, uma mesa cheia de livros e revistas que as crianças podem consultar à vontade.
Do outro lado, um grupo de alunos joga xadrez, que é um recurso importante no desenvolvimento do raciocínio e, logo adiante, uma oficina de orientação e treinamento dos professores, onde eles expõem aos supervisores tudo que precisam para melhorar o rendimento dos alunos.
"Você quer ver o seu trabalho tendo frutos, retornos, é com isso que um professor se sente feliz", afirma a professora Elisângela Alves.
Também em Alto Alegre, uma outra iniciativa premia anualmente as boas escolas. Uma foi vencedora: não há evasão escolar e a aprovação dos alunos é de 98%.
Quem ganha o prêmio? Os professores: um abono de R$ 1 mil. O diretor, R$ 2 mil. E os funcionários, um mês de salário dobrado.
Para a professora Francineide Marques, o dinheiro é bem-vindo, mas o verdadeiro prêmio é outro. “Minha maior recompensa é quando eu vejo um aluno e descubro que ele aprendeu. Dá vontade de sair gritando. Isso é emocionante, é gratificante. A gente começa a ter um gosto especial, então a gente descobre que parece que nasceu pra ser professora”.


25 de Abril de 2008
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ESCOLAS QUE DÃO UM EXEMPLO



O Jornal Nacional começa a exibir nesta segunda-feira uma série de reportagens sobre projetos bem-sucedidos na área de educação, revelados em uma pesquisa do Ministério da Educação e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Iniciativas em algumas das regiões mais pobres do Brasil e que, a partir de agora, vão servir de referência para todas as outras escolas. A viagem começa pelo Maranhão.
Mal amanhece e lá vem ele. O simpático jegue é o animal mais popular de Alto Alegre do Pindaré, interior do Maranhão. Na escola, é enfeitado com duas cestas coloridas que vão se enchendo de livros.
“A criançada se amarra no Gato de Botas", conta um voluntário. “Convidamos todas as crianças a participar da retomada do projeto ‘Jegue livro’, que acontecerá hoje depois das 8h”, anuncia a professora no alto-falante.
Depois de passar por várias ruas, o jegue livro chega à praça principal do povoado. Muita gente já aguarda a chegada dele com os livros que vão ficar a manhã inteira à disposição dos moradores, em uma espécie de biblioteca ao ar livre.
É tudo muito simples. Duas lonas no chão e livros à vontade. Aos poucos, cada um escolhe o seu e a praça se enche de um barulho diferente.
A mãe lê para o filho. A filha lê para a mãe. Com a biblioteca itinerante, a diretora da escola já percebeu a melhora no aprendizado dos alunos. Em Alto Alegre do Pindaré, quem diria. Jegue não é sinônimo de burro. "Na nossa cidade, o jegue é inteligente porque ele leva saber, conhecimento, sabedoria, através dos livros", afirma um homem.
Do Maranhão para o Rio Grande do Sul, em Arroio do Meio. Em uma escola, professores, alunos, funcionários. Todos, uma vez por semana, param para ler. “Os nossos alunos não gostavam muito de ler. Eles liam pouco e não liam com prazer, mas por obrigação”, afirma Marlize Fuhr, professora idealizadora do projeto.
Agora, a leitura virou mania. “É legal porque a gente pode ler todo mundo junto, a gente lê livros diferentes. Todo mundo gosta”, conta a aluna Bianca Majolo, de 11 anos.
O projeto deu tão certo que foi adotado por toda a rede municipal e não pára de conquistar novos leitores, como a merendeira Juraci Fátima de Silva. Ela conta que trabalhou durante 15 anos em uma universidade, mas só aqui teve este incentivo. “Esse momento da parada da leitura é um momento bem mágico e eu estou gostando muito”.
Próxima parada, Formosa, interior de Goiás. O desafio era aproximar os pais da escola. Periodicamente, a direção transforma o pátio em salão de beleza. Cabelo, maquiagem, unhas. Tudo de graça para as mães.
“Foi a maneira que a gente conseguiu de estreitar os laços com a comunidade”, explica a diretora Iara de Melo. A ajuda da comunidade é fundamental. A dona do salão de beleza dá um dia de trabalho para a escola: “Eu estou fazendo a minha parte”, ela diz.
“A gente fica mais elegante, charmosa”, diz uma mãe.
Em Brazilândia, uma das regiões mais pobres e violentas do Distrito Federal, o contraste com o que vimos até agora. O centro educacional luta com dificuldades para recuperar o tempo perdido de alunos que foram ficando para trás ao longo da vida escolar.
Bruno Gomes da Hora, de 18 anos, repetiu a 5ª série cinco vezes. "Na verdade, eu quero ser juiz. Aí, eu fiquei pensando: eu tenho que terminar os estudos", diz Bruno, que está agora na 8ª série.
A diretora da escola sabe que para mudar o futuro dos estudantes brasileiros é preciso mais que um professor na sala de aula. “A gente procura ser uma referência positiva pra eles aqui dentro da escola para poder prender eles aqui, pra poder fazer com que eles cresçam aqui como ser humano”, explica a diretora Maria Monte Tabor.
Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que participou da pesquisa, os exemplos de sucesso devem ser ampliados para toda a rede pública. “O que é útil para o Brasil, hoje em dia, é entender melhor o que está dando certo, tentando replicar, colocar isso em escala e motivar as forças da sociedade”, declara Marie Pierre, representante do Unicef.


24 de Abril de 2008

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sábado, 5 de abril de 2008

UMA REORGANIZAÇÃO DO TEMPO DA ESCOLA


A reorganização do tempo escolar está ligada a possibilidade de oferecer ao aluno uma melhor qualidade no seu desenvolvimento e desempenho escolar. De acordo com Lima, a reorganização temporal da escola em ciclos se insere em um processo de reavaliação.A autora destaca que a persistência do fracasso escolar na escola pública, em países economicamente desenvolvidos, alerta para o fato de que a estrutura da instituição tem problemas sérios. Este é o caso do Brasil, mesmo sendo um país até economicamente desenvolvido sofre no sentido do fracasso escolar, apesar de que este grave problema não é só de ordem econômica, mas também histórica e cultural.No entanto, estes problemas acabam afetando as metas educacionais e o nível de preparo da população em geral seja concretizado na escola. Até porque a escola é o meio pelo qual o indivíduo pode transformar-se e melhorar sua qualidade de vida.A educação dentro das escolas precisa de uma reforma, precisa mudar. Atualmente, são levantadas questões que foram muito pouco mencionadas durante grande parte do século, como por exemplo, o caso da organização e gerência do tempo e do espaço na instituição escolar.Por que trabalhar com o eixo do tempo?Pouco se fala da questão do tempo, o qual já é determinado para cada aula. Isto é algo que vem historicamente e culturalmente implantado há muitos anos. Lima neste ponto do texto descreve:A temporalidade da cultura escolar vigente está de tal forma internalizada, que o tempo, tal como ele está organizado, não é sequer lembrado nas discussões pedagógicas e nunca é seriamente questionado. (LIMA,p.4,1998).Infelizmente, esta idéia de Lima citada acima é algo bem sério para refletirmos, pois muito se sabe que parte de discutir tal tema, mexe com a realidade de muitos educadores, ou seja, muitos estão acomodados, está bom do jeito que está, pra que mexer em algo que funciona? Questões como estas são indagadas por muitos professores.Mas para outros educadores é ao contrário dos acomodados, ou seja, são profissionais comprometidos e preocupados em transformar a educação tradicional em algo diferente, sem se preocupar se sua aula vai acabar em 50 min., ou ainda, saber que poderão ficar mais de uma aula trabalhando determinado assunto, conteúdo, ou projeto. Isto está bem claro para a autora quando a mesma cita:... mesmo quando não temos a intuição (ou a certeza) de sua inadequação: que falta tempo para ministrar uma matéria, que falta tempo ao aluno para assimilar algo e, principalmente, quando se quer realizar algo de forma diferente em sala de aula, mas não se pode, porque não há tempo. (LIMA,p.4,1998).É preciso planejar a organização temporal de forma diferenciada, não podemos deixar a escola caminhar de forma tão tradicional. A inovação faz parte do dia-a-dia escolar, mas para que resultados brilhantes ocorram é necessário investir no tempo.O que estamos presenciando há muitos anos é que a aula sempre é interrompida após os 50 min., isso faz com que o aprendizado do aluno naquele momento seja interrompido e mesmo quando o professor voltar na próxima aula para trabalhar tal conteúdo ou atividade, não será a mesma coisa.A autora faz uma importante citação a respeito disso. Veja:Se o objetivo da escola é promover a aprendizagem humana, o critério fundamental deveria ser a organização do tempo de forma que os indivíduos envolvidos sejam a prioridade e que, portanto, a concepção de tempo acompanhe os processos de aprendizagem e de ensino tal como eles ocorrem na espécie humana, evitando as rupturas criadas sempre que interrompemos uma explicação, uma atividade, um processo de reflexão por causa da forma rígida como o tempo é distribuído no dia-a-dia da escola. (LIMA,p.5,1998).Percebemos então que quando uma atividade é bem planejada o desenvolvimento do aluno é eficaz, o problema a ser enfrentado é que quando o aluno está no auge de sua aprendizagem a aula é interrompida e segue com outra disciplina.Do tempo rígido para o tempo flexívelAtualmente, tanto o tempo vivido no dia-a-dia, como o tempo subjacente nos documentos e em materiais escolares, é caracterizado por uma divisão rígida, ou seja, aulas com 40 a 50 minutos de duração.De acordo com Lima:A distribuição do tempo de uma matéria é constante durante todo o ano letivo e desconsidera que a construção de conhecimento, em uma determinada área, não acontece no ser humano com esta regularidade: há momentos em que se torna necessário dedicar em vez de 50 minutos a um assunto, ao menos 3 horas, para que se dê ao educando a possibilidade de completar o ciclo das atividades necessárias para construir o conceito. (LIMA,p.7,1998).Sem dúvida alguma, sabemos que cada um tem seu tempo de aprendizagem, pode ser assim como a autora coloca na citação acima, que nem todo ser humano o conhecimento se dá com a regularidade de um tempo já determinado, ou seja, aulas de 40 a 50 minutos. Pode ser que para alguns alunos o aprendizado pode ocorrer assim como para outros não.O que vem a ser ciclo de formação em educação?A autora traz uma definição bem simples, clara e objetiva para compreendermos o que vem a ser o ciclo de formação, pois bem:Ciclo de formação é conseqüência da reconceituação da escola como espaço para formação, não só de aprendizagem (...) não se trata, portanto, de justaposição de aprendizagens das várias áreas, mas concebe-se o conhecimento como parte integrante da formação humana, o que inclui, certamente, a dimensão ética da aquisição e uso do conhecimento. (LIMA,p.8,1998).Educação por ciclos de formação é uma organização do tempo escolar de forma a se adequar melhor às características biológicas e culturais do desenvolvimento de todos os alunos. Aí vem uma citação da autora que por muitos é pensada desta forma, mas devemos ter cuidado e pensar que educação como ciclo de formação:não significa portanto, dar mais tempo para os mais fracos, mas antes disso, é dar o tempo adequado para todos. (LIMA,p.9,1998).Portanto, a idéia de ciclos confere ao processo de aprender o que é: um trabalho com conteúdos do assim chamado conhecimento formal, simultaneamente ao desenvolvimento de sistemas expressivos e simbólicos a formação.Cronologia, calendário e desenvolvimento humano.O ponto de partida para compreendermos este ponto que autora descreve, nada mais é, do entender que o ser humano tem seu desenvolvimento diferentemente das condições de cronologia e calendário seguidos na escola.Cada ser humano, ou seja, cada aluno tem seu momento certo para ter seu desenvolvimento em relação a construção de um conhecimento. Não se pode trabalhar o calendário escolar sem levar em conta esta questão, sendo esta muito importante para verificar o desempenho do crescimento do educando.Assim temos diante da idéia da autora que:o processo de desenvolvimento do ser humano é de ordem biológica-cultural, se realiza segundo os parâmetros estabelecidos pela genética da espécie, e é função da cultura. (LIMA,p.11,1998).Através desta citação acima, percebemos que os períodos de desenvolvimento, marcados por características distintas uns dos outros, primeiramente, não sejam regulares como a cronologia e calendário, que cada ano tem sempre 12 meses.Princípios da proposta de Langevin-WallonSegundo Wallon, a educação por ciclo se justifica, pelo fato de que a educação deve ser adaptada ao homem e não aos interesses particulares ou transitórios da economia, da política, nacional ou internacional, das ideologias, nacionalidades ou culturas, como na verdade a educação atual ocorre.Wallon surge então com uma proposta que é a divisão em ciclos, mas ele deixa claro que tal proposta não tem uma argumentação em favor de aumento da aprendizagem, mas sim de uma re-significação do processo de aprender.A fundamentação teórica: a teoria histórico-cultural do desenvolvimento a dialética entre organismo e cultura.A proposta de ciclos de formação está ligada a concepção de aprendizagem e desenvolvimento elaborada pela teoria cultural-histórica do desenvolvimento humano. Devendo no entanto, conhecer as funções psicológicas que para Vigostki, tais funções são: memória, atenção volitiva, percepção, imaginação e pensamento.Wallon ainda explica algumas formas de atividades específicas, como atividade de estudo, ou seja, o ser humano depende da realização de atividades próprias para a construção do conhecimento formal, e as quais dependem da mediação de um professor.Implicações de ciclos de formaçãoA autora deste livro, traz algumas implicações de ciclos de formação, as quais conheceremos e descrevemos a seguir:GestãoNa perspectiva do ciclo de formação é fundamental, pois é através do gerenciamento que o tempo e o espaço na escola são definidos. O diretor deve ter como prioridade em seu trabalho, a concentralização das condições necessárias para o desenvolvimento humano e todas as aprendizagens que os alunos necessitam realizar.CurrículoAntes de se definir um conceito do que é o currículo, é necessário definir qual o objetivo da ação que se desenrola dentro da escola e que papel ela tem no seu desenvolvimento do indivíduo como ser humano e côo ator social. Portanto, o currículo está sempre inserido em um projeto-político-educacional mais amplo.O currículo deve ser elaborado de acordo com a concepção de ser humano em desenvolvimento. De acordo com Lima, ela enfatiza o fato da escola poder falsear este desenvolvimento, que até é bem comum em nossos dias este tipo de ação contra o educando, de impedi-lo a conviver com ele ou, deliberadamente promove-lo. Pode-se então dizer e concordar com o que a autora descreve que a definição de currículo está atrelada a concepção de cidadão e de indivíduo sócio-cultural que é subjacente à política educacional.AvaliaçãoQuando tratamos do tema avaliação, temos em mente que a escola avalia seu aluno, pois se torna parte constituitiva do processo de formação e desenvolvimento do mesmo. Assume um papel ligado ao currículo, uma vez que os princípios adotados na avaliação definem a própria relação com o conhecimento.Na educação por ciclos, a aprendizagem é vista como processual, que se efetiva em tempos diversos para cada indivíduo. Nesta perspectiva, contribui na definição do encaminhamento do currículo e faz parte, indiretamente, do planejamento pedagógico das formas de atividade pelas quais se pretende desenvolver o currículo.Continuidade EducativaNo processo do ciclo de formação notamos uma diferença bem interessante para o desempenho do aluno. A partir desse ciclo não se passa o aluno de uma série a outra e sim o seu desenvolvimento ocorre por meios de ações que buscam a integração no processo educativo.Na visão de aluno, terá a possibilidade de desenvolvimento crescente da complexidade dos conceitos e da apropriação progressiva do método.Formação de coletivosNa formação de coletivos, ou também chamado trabalho em equipe, ocorre o seguinte processo, de acordo com Lima:(...) é a modificação das relações profissionais entre os professores, uma vez que eles irão compartilhar o mesmo aluno durante o ciclo. (LIMA,p.27,1998).Diferente do que ocorre no ensino tradicional, onde o aluno não terá sempre o mesmo professor durante todas as séries. Já na formação de ciclos como citado acima o aluno tem o professor durante todo o processo. Isto se faz importante, pois o trabalho que este educador pode realizar será fundamental na construção do conhecimento e desenvolvimento do educando.Formação do EducadorPor fim, para que este ciclo de formação, uma proposta que Lima, apresenta para a reformulação do tempo e espaço na escola, é necessário que os profissionais também estejam preparados para se aliar a esta proposta.Não tem como trabalhar neste ciclo sem antes se capacitar para desenvolver seu trabalho, pois, mesmo quando se entra em um novo plano, fica sempre alguns resquícios anteriores trabalhados. Lima coloca de forma objetiva esta questão:Não podemos esquecer, aqui, que a redefinição da atividade do professor é um processo e que, portanto, não ocorre da noite para o dia. De fato, temos visto que, nos momentos iniciais da implantação de ciclos, as práticas pedagógicas mantêm-se, em geral, as mesmas ou muito semelhantes às práticas anteriores, principalmente a avaliação. (LIMA,p.28,1998).É importante lembrar, que não se pode descartar a formação pedagógica do educador, mas deve levar em consideração que o mesmo deve ter uma postura diferente do que a que ele praticava anteriormente para que se obtenha o resultado esperado que é o desenvolvimento e oportunizar aprendizagem de qualidade ao aluno.Referência Bibliográfica: HORA, Dinair Leal da. Gestão Democrática na escola. 10ª ed. Papirus. São Paulo. 2002.LIMA, Elvira Souza. Ciclos de formação: uma reorganização do tempo escolar. São Paulo. S107.1998.MEZOMO, João Catarin. Educação e Qualidade Total A Escola volta às aulas. 2ª ed. Vozes. Petrópolis. 1999.


Postado por UNIPED - Turma de Pedagogia da Uniube Polo BH às 20:21



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